
A dor mais doída é a da solidão. Aquela ausência consentida que aperta o peito. São pensamentos rasgados por um vazio completamente omisso. É a dor traduzida pelo silêncio infinito que dura um minuto. Quando não há mais o que falar e a mudez nos ensurdece com a verdade. Somente ela. Sozinha, nua, completamente despida de qualquer desculpa.
Estar só remete a crises de sono profundo como num passatempo imaginário. Não para congelar o tempo, mas para sentir-se confortável com a companhia dos sonhos. É não suportar a própria carência por que ela faz sentido. É a inexistência compartilhada do ser. A falta de cumplicidade, aquela mais tímida, mais íntima, mais insípida.
A súplica por uma companhia. Aquele sentimento de vazio que se tem mesmo quando está acompanhado por milhares de pessoas. É aproximar-se de Deus por piedade própria e não por agradecimento. Sim, quem vaga só sabe o peso do nada.
O calor obcecado em manter-se feliz, belo, radiante. Sentimento tolo, quase fútil. É estar pronto para algo novo e não aguentar mais dias iguais. É estar preso num calabouço de hipocrisia. É perder tempo com lorotas, fofocas, coisas tortas. É não se reconhecer. É dar-se conta de coisas que nem sabíamos que éramos capazes. É invejar secretamente a felicidade alheia, vivendo num paradoxo entre a realidade e a falsidade moral.
O desespero do coração arrítmico, os olhos tomados de lágrimas, a garganta melancólica. Mais nada. Nada. Apenas a respiração serena, como se a solidão estivesse zombando da nossa dor. Apenas a voz ausente que a tudo cala e que a tudo contradiz. A dor camuflada numa alegria falsa, não ocultada pelos olhos tristes. O sorriso disfarçado, melancólico, quase nostálgico. O que os olhos revelam, a gargalhada disfarça. Atenua, mas não esconde.
A solidão é um sumiço covarde, um jogo de paciência. Por vezes desinteressado, uma calmaria em meio à turbulência. É o silêncio que diz não. O arremate do fim.
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