segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Discurso de formatura

Há exatamente um ano eu proferia este textinho: Inexplicável. Como expressar tudo o que estamos sentindo agora? São lágrimas misturadas a sorrisos que refletem a alma e banham o coração. Apesar da saudade que se ascende a cada palavra, sabemos que esta solenidade é o marco da nossa vitória. É com muita honra que, em nome dos formandos da turma de Içara, me curvo diante de Deus em agradecimento por compartilhar este momento com vocês, amigos. Sabedores somos de que este trunfo não é só nosso e o dividimos com os nossos pais, pelo amor inabalável; com nossos mestres, fonte de sabedoria; e com nossos amigos e familiares, que aplaudem de pé, nossa conquista. Tenho certeza que dia da nossa formatura foi traçado na cabeça de cada um de nós. Para uns, a opção pela carreira jurídica deve ter nascido no berço, por influência dos pais, familiares, ou por pura vocação. Já outros, descobriram o Direito às vésperas de encarar o vestibular, ou então após concluir outro curso superior. O momento não importa. Afinal o que ontem era realidade hoje é lembrança. E qual a qualidade da lembrança, senão a de estar guardada dentro dos nossos corações? Para trás ficam os sentimentos juvenis, a convivência diária, debates calorosos, provas para estudar na véspera, jogos de truco no intervalo, conversas de MSN durante as aulas e horas e horas de companhia. Vencemos muitos obstáculos: noites mal dormidas, festas canceladas e férias adiadas. Vivenciamos experiências que envolviam todos os tipos de situações: das alegres às tristes, das cômicas às trágicas, das corriqueiras àquelas surpreendentes. Aos poucos, a Unisul foi se tornando parte de nossas vidas. Em Içara, carregamos o peso de sermos a primeira turma do período noturno. Éramos 50 alunos na primeira fase. Da sala de aula lotada aos corredores vazios! O curso de Direito pertencia a nós, apenas. Fomos os “veteranos” durante todo o curso e assistimos de camarote o crescimento da unidade nos últimos 5 anos. Entretanto, quanto mais o tempo passava, menor a turma ia ficando. Hoje somos 10 vitoriosos. Mais que colegas, a convivência nos tornou grandes amigos. Personalidades tão diferentes cultivadas com carinho e muito respeito. Do Gustavo, guardaremos o humor usado como escudo ou arma. Do Luiz Phillipi, fica a mente brilhante e extremamente humilde. O Ademar, o mais novo da turma, era também o mais quietinho, mas quando falava, surpreendia a todos com sua sabedoria. Levaremos para sempre a doçura da Daniela, que com sua voz baixinha e serena, cativa todos ao seu redor. A Mirela deixará seu sorriso marcado em todos nós, assim como o jeitinho discreto da Scheila e da Samara. O Derli e seu sotaque gaúcho que não nega as origens. A Sayonara, sempre muito dedicada aos estudos, à comunidade e à família. O que mais sentiremos falta será da risada da Karine. Tudo isso sem nos esquecermos daqueles que ficaram no caminho. Perceber esse processo nos permite afirmar que o crescimento não é fruto, obviamente, de meras prerrogativas individuais, pois nenhuma pessoa constrói-se sozinha, ela soma-se à autenticidade de cada um que passa em sua vida. Nós, hoje aqui reunidos, almejamos o título de bacharéis em Direito, o qual agrega em si fatores que ultrapassam os limites do conhecimento técnico, sendo reflexo de idealismo, coragem e perseverança que nortearam nossa trajetória ao longo destes últimos anos. Mais que um mero pedaço de papel, nosso diploma adquiriu feições próprias. Com caráter e personalidade, fez-se vida! O diploma que estamos recebendo agora deve valer mais ou menos cinco mil páginas. Fomos aprovados em 160 avaliações, dentre provas e trabalhos. Sem contar também o número de apostilas, cópias e centenas de folhas de caderno escritas a mão. Estudamos oito Códigos e uma respeitável Constituição. Além dos Estatutos e legislação complementar. Os estudamos um a um. Ninguém duvide que muitos dos artigos, sabemos de cor. Juntos, formamos um só. Somos, a partir de hoje, as novas vozes da comunidade jurídica. O desafio é grande, a jornada apenas se inicia. Que a tríade “ética, direito e justiça” guie nossa caminhada e nos dê eloqüência para equilibrar o peso da balança e a força protetora da espada. Sejamos críticos contumazes dos nossos atos para que nunca nos afastemos dos nossos objetivos, que é o de promover a justiça! Amigos, este não é um momento de despedida, mas o início de uma nova etapa. O coração não respeita o tempo e cada um de nós tem a força da eternidade guardada no peito, além de uma marca de cada pessoa que passou por nossas vidas, e se quisermos, teremos cada momento já elencado, latente dentro de nós e poderemos nos emocionar a qualquer hora e lugar. Se me permitem citar Rui Barbosa: “Para o coração, pois, não há passado nem futuro, nem ausência”. Apenas a saudade! Que Deus nos abençoe!

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