quinta-feira, 20 de maio de 2010

Estúpida perfeição



"Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso"


A perfeição é irritante, pelo menos pra mim.
Gosto mesmo daquelas pessoas deliciosamente imperfeitas que têm a capacidade de rir de si mesmas, dos seus defeitos e problemas. Aquelas que pagam mico, dão risada quando não pode e por vezes trocam os pés pelas mãos. Essas sim são reais. Aquelas que explodem por besteira, mudam de humor e defendem seus princípios sem impor suas vontades. Afinal, o que é certo?
Pessoas que nunca perderam a voz de tanto cantar, que nunca ralaram o joelho aprendendo a andar de bicicleta e que nunca foram mal na prova simplesmente não me interessam.
Gente com sorriso plastificado no rosto, que levam a vida com uma pontualidade britânica e que nunca se arrependem de nada me assustam.
Vidas maquiadas pela ilusão, pois quem se diz perfeito é arrogante demais para não enxergar seus defeitos. E quem exala perfeição é falso demais para não se mostrar de verdade. Ninguém é perfeito, se aparentam ser, estão fingindo.
Gente que nunca andou na contramão do medo, da sensatez, dos modelos sociais. Gente que não grita, não é inconseqüente, nunca perde a direção. Gente que não ouve não. Nunca tiveram o coração partido, como se fossem cartas coringas num jogo de azar.
Eu me recuso a acreditar nessa estúpida perfeição.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pensando bem...


Pensando bem, eu gosto daquilo que irresistivelmente não presta. Tal qual uma tentação, eu gosto daquilo que é proibido. Prefiro mil vezes um turbilhão de sentimentos, aquele que resgata o brilho nos olhos e desperta um sorriso que mascara toda insegurança por trás dele.
Eu gosto de um modo especial do inacabado, daquele pra sempre que nunca se cumpre. Eu tenho um desejo inabalável por aquelas linhas mal traçadas e vivo de esboços não acabados e errantes. Porque a vida é feita de promessas não cumpridas, sonhos desfeitos, desilusão de gente grande.
Eu gosto mesmo do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo.
Na inconstância do dia-a-dia, nem sempre faço o que julgo certo, mas sempre acabo colocando em prática aquilo que eu quero. Eu quero fugir dos conselhos sensatos e alcançar um redemoinho de emoções vacilantes, mas cheias de significado.
Afinal, o melhor é se jogar de cabeça, fazer loucuras, perder a hora ou morrer de amor.
O Amor, com letra maiúscula. Não sou previsível, mas amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso.
Seria bom se fosse fácil?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dias de luta, dias de glória!


A vida é mesmo engraçada! Quatro anos vivendo os dias mais intensos, divertidos, angustiados, estressados e desafiadores. Sonhando com milhares de coisas e que em questão de 10 minutos acabam. Seis meses em cima de um trabalho, o TCC, monografia, ou como queira chamar... Aquilo que te deixa ansiosa, nervosa, angustiada, sem fome, com alguns fios de cabelo branco, finais de semana em casa, medo de não conseguir ou de fracassar. Aquele que é tão cansativo, trabalhoso, mas que no final te faz esquecer de tudo quando escuta: o trabalho foi considerado adequado e aprovado para graduação em Bacharel em Jornalismo.

Nessa hora passa um filme na cabeça. "Acabou?" Finalmente! um alívio toma conta, com uma sensação de mais uma etapa cumprida. É ao mesmo tempo uma mistura de medo com saudade, que traz cada vez mais insegurança, uma sensação de não saber para onde ir, o que fazer, enfim, como vai ser?

Um mundo novo nos espera lá fora. "O mundo começa agora. Apenas começamos!"

Nesses quatro ano fui privilegiada de encontrar em algumas pessoas o verdadeiro sentido da palavra AMIZADE. São nas horas mais difíceis que você vê em quem pode confiar. Unidas do começa ao fim, elas fizeram da minha vida, uma vida imensa e inesquecível. Convivendo diariamente pude ver em cada uma um pouco de mim. Estilos diferentes, claro, mas sempre uma completando a outra. Seja no estilo musical, maneira de se vestir, pra escolher que balada ir, pra qual delas devia pedir conselhos. Festas, bares, cervejas, vodkas, whisks, Tubarão, risadas, fotos, viagens, um mundo nosso, só nosso, que vivemos intensamente. Uma aprendendo com o defeito da outra, sabendo respeitar as diferenças, sabendo ouvir e falar o que realmente era preciso. Mesmo machucando, mas falando sempre a verdade. Amigas que quero sempre ao meu lado, porque sei que posso contar sempre, em qualquer situação. Só tenho que agradecer esses que foram os quatro anos melhores da minha vida. Onde pude ver o mundo, conhecer pessoas, lugares, culturas e conquistar amigos.

Os quatro anos se foram e o que resta são as recordações, as fotografias e as eternas risadas guardadas na memória. Éramos só um grupo de amigos que queria se divertir, sempre procurando ver o lado melhor da vida. Agora somos uma família e as nossas filosofias continuam acabando em uma mesa de bar.

Fazer parte dessa família me fez ser uma pessoa melhor e ter o privilégio de convivido com vocês também. Dizer obrigada é muito pouco perto de tudo o que aprendi. Enfim, por causa de todos que estiveram presentes tenho muito mais sorrisos e histórias pra contar!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

** A minha imagem é você quem faz, mas a minha vida sou eu quem vivo!**



Mistura de loucura e doçura,intensidade e medo,risos e choros,gargalhadas e confidências.
Já apostei tudo e não ganhei nada,
Já deixei de apostar por medo de ganhar,e também mesmo não apostando, eu ganhei e perdi.
Idas e vindas,
Abraços e despedidas, muitas vezes sem palavras.
Explosões de sentimentos e borboletas no estômago.
Pernas bambas e mãos trêmulas.
Mistura de coragem e covardia,
Rebeldia como pedido de socorro,
Mistura de tranqüilidade e desejo,
Deixei para trás o que eu era, para ser o que sou hoje!
Me sinto mulher, mais tenho muito o que aprender ainda!
Tenho sonhos, desejos, loucuras, doçuras e rebeldias.
Quero mais borboletas no estômago e muitas doses de ansiedade.
Procuro viver o mais intensamente possível,
Quero ter experiências, carinhos, amores, paixões, alegrias e tudo o que eu puder sentir nesse mundo de explosões de sentimentos.
Me sinto louca ou apenas estou tentando sobreviver nesse mundo louco!
Quero poder amar sem ter medo,
Falar o que sinto sem parecer boba ou lunática;
Quero mais reciprocidade e cumplicidade, pois são esses os ingredientes mais excitantes que existem;
Levar e receber café na Cama;
Um Bom dia com o sorriso mais lindo do mundo,um colo que me faça esquecer a hora;
Apenas um beijo quando eu estiver braba ou de TPM,
Um abraço que me diz tudo que eu preciso “ouvir”;
Um amor inteiro, completo, sem mentiras e desculpas;
Quero rir de coisas bobas e simples da vida;
Quero muitos amigos, pois são eles que estão ao seu lado sempre!
Quero brincar parecendo uma criança,
Quero tudo de melhor que a vida pode me oferecer.
Arrependimentos? Tenho alguns sim, porém, tento a cada dia aprender com meus erros.
Só não erra quem não tem coragem!
Quero mais mar, sol , praia e lua;
Quero contar as estrelas deitada no meio da rua;
Busco apenas o simples,
sem muitas explicações e conselhos.
Quero o tudo e quero o nada,
Quero apenas viver, e vivendo, ser feliz!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A voz da solidão


A dor mais doída é a da solidão. Aquela ausência consentida que aperta o peito. São pensamentos rasgados por um vazio completamente omisso. É a dor traduzida pelo silêncio infinito que dura um minuto. Quando não há mais o que falar e a mudez nos ensurdece com a verdade. Somente ela. Sozinha, nua, completamente despida de qualquer desculpa.
Estar só remete a crises de sono profundo como num passatempo imaginário. Não para congelar o tempo, mas para sentir-se confortável com a companhia dos sonhos. É não suportar a própria carência por que ela faz sentido. É a inexistência compartilhada do ser. A falta de cumplicidade, aquela mais tímida, mais íntima, mais insípida.
A súplica por uma companhia. Aquele sentimento de vazio que se tem mesmo quando está acompanhado por milhares de pessoas. É aproximar-se de Deus por piedade própria e não por agradecimento. Sim, quem vaga só sabe o peso do nada.
O calor obcecado em manter-se feliz, belo, radiante. Sentimento tolo, quase fútil. É estar pronto para algo novo e não aguentar mais dias iguais. É estar preso num calabouço de hipocrisia. É perder tempo com lorotas, fofocas, coisas tortas. É não se reconhecer. É dar-se conta de coisas que nem sabíamos que éramos capazes. É invejar secretamente a felicidade alheia, vivendo num paradoxo entre a realidade e a falsidade moral.
O desespero do coração arrítmico, os olhos tomados de lágrimas, a garganta melancólica. Mais nada. Nada. Apenas a respiração serena, como se a solidão estivesse zombando da nossa dor. Apenas a voz ausente que a tudo cala e que a tudo contradiz. A dor camuflada numa alegria falsa, não ocultada pelos olhos tristes. O sorriso disfarçado, melancólico, quase nostálgico. O que os olhos revelam, a gargalhada disfarça. Atenua, mas não esconde.
A solidão é um sumiço covarde, um jogo de paciência. Por vezes desinteressado, uma calmaria em meio à turbulência. É o silêncio que diz não. O arremate do fim.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Coisas que a vida ensina



Em épocas de aniversário eu fico meio nostálgica...

Quero da vida tudo o que há de cru e de belo. Não quero um punhado de pó mágico contra a dor, muito menos um oásis de doces e cores. Não quero que meus dias sejam apenas rotina. Levantar e deitar, retrato da monotonia.
Quero intensidade, atitudes regadas a impulso e entusiasmo. Quero sorrisos de bom dia, um abraço de despedida e chocolate para espantar o gosto amargo da solidão. Ah, e paixão. Quero um amor pra viagem, por favor? Sem gelo, aliás. Apenas uma rodelinha de limão e um pouco de açúcar.
Quero puxões de orelha necessários, arranhões que ensinam a respeitar limites, os meus e dos outros. Quero colinho de mãe quando o mundo sucumbir sob meus pés.
Quero um capítulo novo, repleto de aventuras. Quero os rabiscos multilineares e até mesmo aqueles retratos em preto e branco, tão sóbrios, quase incógnitos.
Quero jogar fora as amarras que me prendem ao passado, sacudir a poeira e seguir em frente. Quero lágrimas saudosas que lavam a alma e revelam a dimensão do que somos. Quero aprender a perdoar. Quero jogar fora o preconceito e experimentar as diferenças. Quanto mais diferente, melhor. Quero amigos, muitos deles. Dos mais loucos aos mais sensatos, mas todos de coração aberto. Nessa nova etapa da vida, quero deixar de ser quem eu era e me tornar quem eu sou.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mais mulher pra ele

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: mas agora eu to comendo um lanche com amigos'. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim? Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito! Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim. Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida. Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto. O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu... Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele. Ele quem mesmo???
Martha Medeiros